Peshat
Análise literal e halachica
A Toráh dedica uma das passagens mais densas a Sukkot, em Vayikra 23:33-43, e as referências se multiplicam em Devarim, Bamidbar e nos profetas.
Vayikra 23:33-43 — A Fundação
A Toráh estabelece sete dias de festa, começando em 15 de Tishrei, com mikra kodesh (convocação santa) no primeiro dia, Shemini Atzeret no oitavo, e a ordem das Arba Minim em 23:40: ulekachtem lachem bayom harishon pri etz hadar, kapot temarim, vaanaf etz avot, vearvei nachal. E tomareis para vós no primeiro dia fruto de árvore formosa (etrog), folhas de palmeira (lulav), ramo de árvore frondosa (hadassim) e salgueiros do riacho (aravot).
Em 23:42-43 vem o mandamento da Sucá com sua razão histórica: basukot teshvu shivat yamim, kol haezrach beYisrael yeshvu basukot, lemaan yedu doroteichem ki vasukot hoshavti et benei Yisrael behotzi'i otam meerets Mitzraim. Em sucot habitareis sete dias, todo o nativo em Israel habitará em sucot, para que saibam vossas gerações que em sucot fiz habitar os filhos de Israel ao tirá-los da terra do Mitzraim.
Devarim 16:13-15 — A Alegria Ordenada
Chag haSukot taasé lechá shivat yamim, beospechá migornechá umiyikvecha, vesamachtá bechagecha. A Festa das Sucot farás para ti sete dias, ao recolher de teu celeiro e de tua prensa, e te alegrarás em tua festa. Acrescenta: vehayita ach sameach. E serás somente alegre. Sukkot é o único Chag em que a Toráh insiste explicitamente na alegria.
Bamidbar 29:12-34 — As Oferendas dos Sete Dias
Detalha as oferendas decrescentes: 13 touros no primeiro dia, 12 no segundo, e assim por diante até 7 no sétimo. Total: 70 touros nos sete dias, número simbólico das 70 nações. A tradição interpreta: Israel oferece em Sukkot pelas 70 nações do mundo, pelo bem-estar universal.
Zechariáh 14:16-19 — A Visão Profética Universal
Talvez a passagem mais surpreendente sobre Sukkot: vehayá kol hanotar mikol hagoyim habaim al Yerushalaim, veaalu midei shaná veshaná lehishtachavot leMelech HaShem Tzevaot velachog et chag haSukkot. Será que todo o remanescente das nações que vieram contra Yerushalaim subirá ano após ano para se prostrar diante do Rei, HaShem dos Exércitos, e celebrar a Festa das Sucot.
No reino messiânico, segundo Zechariáh, todas as nações subirão a Yerushalaim para celebrar Sukkot. Por isto a tradição messiânica reconhece em Sukkot o Chag mais universalista do calendário judaico.
Tehilim 27:5 — A Sucá como Proteção
Ki yitzpenéni besukó beyom ra'á, yastireni beseter aholó. Pois Ele me esconderá em Sua sucá no dia mal, me ocultará no segredo da Sua tenda. David usa a imagem da sucá divina para falar de proteção: a frágil cabana terrena é símbolo da sólida proteção celestial. O versículo abre o Salmo 27, lido durante todo Elul e Aseret Yemei Teshuváh.
Nechemiá 8:13-18 — A Restauração Histórica
Após o retorno do exílio babilônico, Ezrá e Nechemiá restauraram a observância de Sukkot. Velô assu mimei Yeshua bin Nun kén benei Yisrael ad hayom hahu, vatehí simchá gedolá meod. Os filhos de Israel não fizeram assim desde os dias de Yehoshua filho de Nun, e houve grande alegria.
Fonte: Vayikra 23:33-43; Devarim 16:13-15; Bamidbar 29:12-34; Tehilim 27:5; Zechariáh 14:16-19; Nechemiá 8:13-18.
