Ketuvim — leitura cabalística
דניאל
Texto massorético (hebraico com nikud) e coluna de tradução via acervo público do Sefaria.
Eu, Nevuchadnetzar, estava sossegado em minha casa, e próspero no meu palácio.
Tive um sonho, que me espantou; e as imaginações na minha cama e as visões da minha cabeça me turbaram.
Por isso expedi um decreto, pelo qual fossem introduzidos à minha presença todos os sábios de Bavel, para que me fizessem saber a interpretação do sonho.
Então entraram os magos, os astrólogos, os caldeus e os adivinhadores, e eu lhes contei o sonho; mas não me fizeram saber a sua interpretação.
Mas, por fim, entrou na minha presença Daniel, cujo nome é Beltshatzar, segundo o nome do meu deus, e em quem há o espírito dos deuses santos; e eu lhe contei o sonho, dizendo:
Beltshatzar, chefe dos magos, pois eu sei que há em ti o espírito dos deuses santos, e nenhum segredo te é difícil, dize-me as visões do meu sonho que tive e a sua interpretação.
Eis pois as visões da minha cabeça, na minha cama, eu estava vendo, e eis uma árvore no meio da terra, cuja altura era grande.
Crescia esta árvore, e se fazia forte, de maneira que a sua altura chegava até ao céu; e era vista até aos confins da terra.
A sua folhagem era formosa, e o seu fruto abundante, e havia nela sustento para todos; debaixo dela os animais do campo achavam sombra, e as aves do céu faziam morada nos seus ramos, e toda a carne se mantinha dela.
Estava vendo isto nas visões da minha cabeça, na minha cama; e eis que um vigia, e santo, descia do céu.
Clamando fortemente, e dizendo assim: Derribai a árvore, e cortai-lhe os ramos, sacudi as suas folhas, espalhai o seu fruto; afugentem-se os animais de debaixo dela, e as aves dos seus ramos.
Mas deixai na terra o tronco com as suas raízes, atado com cadeias de ferro e bronze, na erva do campo; e seja molhado do orvalho do céu, e a sua porção seja com os animais na grama da terra.
Seja mudado o seu coração, para que não seja mais coração de homem, e seja-lhe dado coração de animal; e passem sobre ele sete tempos.
Esta sentença é por decreto dos vigias, e esta ordem por mandado dos santos; a fim de que conheçam os viventes que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens, e o dá a quem quer, e até ao mais humilde dos homens constitui sobre ele.
Este sonho eu, rei Nevuchadnetzar, vi. Tu, pois, Beltshatzar, dize a interpretação, porque todos os sábios do meu reino não puderam fazer-me saber a interpretação; mas tu podes; pois há em ti o espírito dos deuses santos.
Então Daniel, cujo nome é Beltshatzar, esteve atônito por algum tempo, e os seus pensamentos o turbavam, falou, pois, o rei, e disse: Beltshatzar, não te espante o sonho, nem a sua interpretação. Respondeu Beltshatzar, e disse: Senhor meu, o sonho seja contra os que te têm ódio, e a sua interpretação aos teus inimigos.
A árvore que viste, que cresceu, e se fez forte, cuja altura chegou até ao céu, e que foi vista por toda a terra;
Cuja folhagem era formosa, e o seu fruto abundante, e em que para todos havia sustento, debaixo da qual moravam os animais do campo, e em cujos ramos habitavam as aves do céu;
És tu, ó rei, que cresceste, e te fizeste forte; a tua grandeza cresceu, e chegou até ao céu, e o teu domínio até à extremidade da terra.
E quanto ao que viu o rei, um vigia, e santo, que descia do céu, e que dizia: Cortai a árvore, e destruí-a, mas o tronco com as suas raízes deixai na terra, e atado com cadeias de ferro e de bronze, na erva do campo; e seja molhado do orvalho do céu, e a sua porção seja com os animais do campo, até que passem sobre ele sete tempos:
Esta é a interpretação, ó rei, e este é o decreto do Altíssimo, que virá sobre o rei, meu senhor:
Serás tirado de entre os homens, e a tua morada será com os animais do campo, e te darão a comer erva como aos bois, e serás molhado do orvalho do céu; e passar-se-ão sete tempos por cima de ti; até que conheças que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens, e o dá a quem quer.
E quanto ao que foi dito, que deixassem o tronco com as raízes da árvore, o teu reino voltará para ti, depois que tiveres conhecido que o céu reina.
Portanto, ó rei, aceita o meu conselho, e desfaze os teus pecados pela justiça, e as tuas iniquidades, usando de misericórdia para com os pobres, e talvez se prolongue a tua tranquilidade.
Todas estas coisas vieram sobre o rei Nevuchadnetzar.
Ao fim de doze meses, quando passeava sobre o palácio real de Bavel,
Falou o rei, e disse: Não é esta a grande Bavel que eu edifiquei para a casa real, com a força do meu poder, e para glória da minha magnificência?
Ainda estava a palavra na boca do rei, quando caiu uma voz do céu: A ti se diz, ó rei Nevuchadnetzar: Passou de ti o reino.
E serás tirado de entre os homens, e a tua morada será com os animais do campo; far-te-ão comer erva como os bois, e passar-se-ão sete tempos sobre ti, até que conheças que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens, e o dá a quem quer.
Na mesma hora se cumpriu a palavra sobre Nevuchadnetzar, e foi tirado de entre os homens, e comia erva como os bois, e o seu corpo foi molhado do orvalho do céu, até que lhe cresceu pelo como as penas das águias, e as suas unhas como as das aves.
Mas ao fim daqueles dias eu, Nevuchadnetzar, levantei os meus olhos ao céu, e tornou-me a vir o entendimento, e eu bendisse o Altíssimo, e louvei e glorifiquei ao que vive para sempre, cujo domínio é sempiterno, e cujo reino é de geração em geração.
E todos os moradores da terra são por ele reputados em nada, e segundo a sua vontade ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem possa estorvar a sua mão, ou lhe diga: Que fazes?
No mesmo tempo me tornou a vir o entendimento, e para a dignidade do meu reino tornou-me a vir a minha majestade e o meu resplendor; e buscaram-me os meus capitães e os meus grandes; e fui restabelecido no meu reino, e a minha glória foi aumentada.
Agora pois eu, Nevuchadnetzar, louvo, e exalço, e glorifico ao Rei do céu; porque todas as suas obras são verdade, e os seus caminhos juízo, e pode humilhar aos que andam na soberba.