Ketuvim — leitura cabalística
קהלת
Texto massorético (hebraico com nikud) e coluna de tradução via acervo público do Sefaria.
Deveras a tudo isto apliquei o meu coração, para tudo isto declarar, que os justos, e os sábios, e as suas obras, estão nas mãos de Deus, e ainda o homem não conhece nem o amor nem o ódio; tudo passa perante a sua face.
Tudo sucede igualmente a todos, o mesmo sucede ao justo e ao ímpio, ao bom e ao puro, como ao impuro, tanto ao que sacrifica como ao que não sacrifica, ao bom como ao pecador, ao que jura, como ao que teme o juramento.
Este é o mal que há em tudo quanto se faz debaixo do sol, que a todos sucede o mesmo, também o coração dos filhos dos homens está cheio de maldade, e há desvarios no seu coração, durante a sua vida, e depois se vão aos mortos.
Pois para todo aquele que está entre os vivos há esperança, melhor é o cão vivo do que o leão morto.
Pois os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco eles têm mais recompensa, mas a sua memória ficou entregue ao esquecimento.
Tanto o seu amor como o seu ódio e a sua inveja já pereceram, e já não têm parte alguma para sempre, em coisa alguma do que se faz debaixo do sol.
Vai, pois, come com alegria o teu pão e bebe com bom coração o teu vinho, pois Deus já se agrada das tuas obras.
Em todo o tempo sejam alvos os teus vestidos, e nunca falte o óleo sobre a tua cabeça.
Goza a vida com a mulher que amas, todos os dias da vida da tua vaidade, os quais Deus te deu debaixo do sol, todos os dias da tua vaidade, porque esta é a tua porção nesta vida, e no teu trabalho, em que tu trabalhaste debaixo do sol.
Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque no Sheol, para onde tu vais, não há obra nem indústria, nem ciência, nem sabedoria alguma.
Voltei-me, e vi debaixo do sol que não é dos ligeiros a carreira, nem dos valentes a peleja, nem tampouco dos sábios o pão, nem tampouco dos prudentes as riquezas, nem tampouco dos entendidos o favor, mas que o tempo e a oportunidade ocorrem a todos.
Pois o homem também não sabe o seu tempo; como os peixes que se pescam com a rede maligna, e como os passarinhos que se prendem com o laço, assim se enlaçam também os filhos dos homens no mau tempo, quando cai de repente sobre eles.
Também vi esta sabedoria debaixo do sol, que para mim foi grande:
Houve uma pequena cidade em que havia poucos homens, e veio contra ela um grande rei, e a cercou e levantou contra ela grandes baluartes.
E achou-se nela um sábio pobre, que livrou aquela cidade pela sua sabedoria; mas ninguém se lembrou daquele pobre homem.
Então disse eu: Melhor é a sabedoria do que a força, ainda que a sabedoria do pobre foi desprezada, e as suas palavras não foram ouvidas.
As palavras dos sábios devem ouvir-se em silêncio, mais do que o clamor do que domina entre os tolos.
Melhor é a sabedoria do que as armas de guerra, mas um só pecador destrói muitos bens.