Ketuvim — leitura cabalística
איוב
Texto massorético (hebraico com nikud) e coluna de tradução via acervo público do Sefaria.
וַ֭יַּעַן אֱלִיפַ֥ז הַֽתֵּימָנִ֗י וַיֹּאמַֽר׃
Então respondeu Elifaz, o temanita, e disse:
הֶחָכָ֗ם יַעֲנֶ֥ה דַעַת־ר֑וּחַ וִימַלֵּ֖א קָדִ֣ים בִּטְנֽוֹ׃
Porventura dará o sábio por resposta ciência de vento? E encherá o seu ventre de vento oriental?
הוֹכֵ֣חַ בְּ֭דָבָר לֹ֣א יִסְכּ֑וֹן וּ֝מִלִּ֗ים לֹא־יוֹעִ֥יל בָּֽם׃
Argumentando com palavras que de nada servem, e com razões com que nada aproveita?
אַף־אַ֭תָּה תָּפֵ֣ר יִרְאָ֑ה וְתִגְרַ֥ע שִׂ֝יחָ֗ה לִפְנֵי־אֵֽל׃
E tu tens feito vão o temor, e diminuis os rogos diante de Deus.
כִּ֤י יְאַלֵּ֣ף עֲוֺנְךָ֣ פִ֑יךָ וְ֝תִבְחַ֗ר לְשׁ֣וֹן עֲרוּמִֽים׃
Pois a tua boca declara a tua iniquidade, e tu escolheste a língua dos astutos.
יַרְשִׁיעֲךָ֣ פִ֣יךָ וְלֹא־אָ֑נִי וּ֝שְׂפָתֶ֗יךָ יַעֲנוּ־בָֽךְ׃
A tua boca te condena, e não eu, e os teus lábios testificam contra ti.
הֲרִאישׁ֣וֹן אָ֭דָם תִּוָּלֵ֑ד וְלִפְנֵ֖י גְבָע֣וֹת חוֹלָֽלְתָּ׃
És tu porventura o primeiro homem que foi nascido? Ou foste gerado antes dos outeiros?
הַבְס֣וֹד אֱל֣וֹהַּ תִּשְׁמָ֑ע וְתִגְרַ֖ע אֵלֶ֣יךָ חׇכְמָֽה׃
Ou ouviste o secreto conselho de Deus, e a ti só limitaste a sabedoria?
מַה־יָּ֭דַעְתָּ וְלֹ֣א נֵדָ֑ע תָּ֝בִ֗ין וְֽלֹא־עִמָּ֥נוּ הֽוּא׃
Que sabes tu, que nós não saibamos? Que entendes, que não haja em nós?
גַּם־שָׂ֣ב גַּם־יָשִׁ֣ישׁ בָּ֑נוּ כַּבִּ֖יר מֵאָבִ֣יךָ יָמִֽים׃
Também há entre nós encanecidos e idosos, muito mais idosos do que teu pai.
הַמְעַ֣ט מִ֭מְּךָ תַּנְחוּמ֣וֹת אֵ֑ל וְ֝דָבָ֗ר לָאַ֥ט עִמָּֽךְ׃
Porventura as consolações de Deus te são pequenas? Ou alguma coisa secreta se acha em ti?
מַה־יִּקָּחֲךָ֥ לִבֶּ֑ךָ וּֽמַה־יִּרְזְמ֥וּן עֵינֶֽיךָ׃
Por que te arrebata o teu coração? E por que pestanejam os teus olhos?
כִּֽי־תָשִׁ֣יב אֶל־אֵ֣ל רוּחֶ֑ךָ וְהֹצֵ֖אתָ מִפִּ֣יךָ מִלִּֽין׃
Para virares contra Deus o teu espírito, e deixares sair tais palavras da tua boca.
מָה־אֱנ֥וֹשׁ כִּֽי־יִזְכֶּ֑ה וְכִי־יִ֝צְדַּ֗ק יְל֣וּד אִשָּֽׁה׃
Que é o homem, para que seja puro? E o que nasce da mulher, para que fique justo?
הֵ֣ן בִּ֭קְדֹשָׁו לֹ֣א יַאֲמִ֑ין וְ֝שָׁמַ֗יִם לֹא־זַכּ֥וּ בְעֵינָֽיו׃
Eis que nem mesmo nos seus santos confia, e nem os céus são puros aos seus olhos.
אַ֭ף כִּי־נִתְעָ֥ב וְֽנֶאֱלָ֑ח אִישׁ־שֹׁתֶ֖ה כַמַּ֣יִם עַוְלָֽה׃
Quanto mais abominável e fedorento é o homem que bebe a iniquidade como a água?
אֲחַוְךָ֥ שְֽׁמַֽע־לִ֑י וְזֶֽה־חָ֝זִ֗יתִי וַאֲסַפֵּֽרָה׃
Escuta-me, mostrar-te-ei, e contar-te-ei o que vi.
אֲשֶׁר־חֲכָמִ֥ים יַגִּ֑ידוּ וְלֹ֥א כִ֝חֲד֗וּ מֵאֲבוֹתָֽם׃
O que os sábios anunciaram, ouvindo-o de seus pais, e o não ocultaram.
לָהֶ֣ם לְ֭בַדָּם נִתְּנָ֣ה הָאָ֑רֶץ וְלֹא־עָ֖בַר זָ֣ר בְּתוֹכָֽם׃
Aos quais somente se dera a terra, e nenhum estranho passou pelo meio deles.
כׇּל־יְמֵ֣י רָ֭שָׁע ה֣וּא מִתְחוֹלֵ֑ל וּמִסְפַּ֥ר שָׁ֝נִ֗ים נִצְפְּנ֥וּ לֶעָרִֽיץ׃
Todos os dias o ímpio se atormenta a si mesmo, e o número dos anos se esconde ao opressor.
קוֹל־פְּחָדִ֥ים בְּאׇזְנָ֑יו בַּ֝שָּׁל֗וֹם שׁוֹדֵ֥ד יְבוֹאֶֽנּוּ׃
O sonido dos temores está nos seus ouvidos; até na paz lhe sobrevém o assolador.
לֹא־יַאֲמִ֣ין שׁ֭וּב מִנִּי־חֹ֑שֶׁךְ (וצפו) [וְצָפ֖וּי] ה֣וּא אֱלֵי־חָֽרֶב׃
Não crê que tornará das trevas, e que está esperado da espada.
נֹ֘דֵ֤ד ה֣וּא לַלֶּ֣חֶם אַיֵּ֑ה יָדַ֓ע ׀ כִּי־נָכ֖וֹן בְּיָד֣וֹ יֽוֹם־חֹֽשֶׁךְ׃
Anda vagueando por pão, dizendo: Onde está? Bem sabe que já o dia das trevas lhe está preparado à mão.
יְֽ֭בַעֲתֻהוּ צַ֣ר וּמְצוּקָ֑ה תִּ֝תְקְפֵ֗הוּ כְּמֶ֤לֶךְ ׀ עָתִ֬יד לַכִּידֽוֹר׃
Assombram-no a angústia e a tribulação, prevalecem contra ele, como o rei preparado para a peleja.
כִּֽי־נָטָ֣ה אֶל־אֵ֣ל יָד֑וֹ וְאֶל־שַׁ֝דַּ֗י יִתְגַּבָּֽר׃
Pois estendeu contra Deus a sua mão, e contra o Todo-Poderoso se embraveceu.
יָר֣וּץ אֵלָ֣יו בְּצַוָּ֑אר בַּ֝עֲבִ֗י גַּבֵּ֥י מָגִנָּֽיו׃
Arremete contra ele com a dura cerviz, e contra as grossas saliências dos seus escudos.
כִּֽי־כִסָּ֣ה פָנָ֣יו בְּחֶלְבּ֑וֹ וַיַּ֖עַשׂ פִּימָ֣ה עֲלֵי־כָֽסֶל׃
Cobriu o seu rosto com a sua gordura, e criou enxúndia nas ilhargas.
וַיִּשְׁכּ֤וֹן ׀ עָ֘רִ֤ים נִכְחָד֗וֹת בָּ֭תִּים לֹא־יֵ֣שְׁבוּ לָ֑מוֹ אֲשֶׁ֖ר הִתְעַתְּד֣וּ לְגַלִּֽים׃
E habitou em cidades assoladas, em casas em que ninguém morava, que estavam a ponto de fazer-se montões de ruínas.
לֹֽא־יֶ֭עְשַׁר וְלֹא־יָק֣וּם חֵיל֑וֹ וְלֹא־יִטֶּ֖ה לָאָ֣רֶץ מִנְלָֽם׃
Não se enriquecerá, nem subsistirá a sua fazenda, nem se estenderão pela terra as suas possessões.
לֹֽא־יָס֨וּר ׀ מִנִּי־חֹ֗שֶׁךְ יֹ֭נַקְתּוֹ תְּיַבֵּ֣שׁ שַׁלְהָ֑בֶת וְ֝יָס֗וּר בְּר֣וּחַ פִּֽיו׃
Não escapará das trevas; a chama do fogo secará os seus renovos, e ao sopro da sua boca desaparecerá.
אַל־יַאֲמֵ֣ן בַּשָּׁ֣ו נִתְעָ֑ה כִּי־שָׁ֝֗וְא תִּהְיֶ֥ה תְמוּרָתֽוֹ׃
Não confie pois na vaidade enganando-se a si mesmo, pois a vaidade será a sua recompensa.
בְּֽלֹא־י֭וֹמוֹ תִּמָּלֵ֑א וְ֝כִפָּת֗וֹ לֹ֣א רַעֲנָֽנָה׃
Antes do seu dia ela se lhe cumprirá, e o seu ramo não reverdecerá.
יַחְמֹ֣ס כַּגֶּ֣פֶן בִּסְר֑וֹ וְיַשְׁלֵ֥ךְ כַּ֝זַּ֗יִת נִצָּתֽוֹ׃
Sacudirá as suas uvas verdes, como as da vide, e deixará cair a sua flor como a oliveira.
כִּֽי־עֲדַ֣ת חָנֵ֣ף גַּלְמ֑וּד וְ֝אֵ֗שׁ אָכְלָ֥ה אׇהֳלֵי־שֹֽׁחַד׃
Pois a congregação dos hipócritas se fará estéril, e o fogo consumirá as tendas do suborno.
הָרֹ֣ה עָ֭מָל וְיָ֣לֹֽד אָ֑וֶן וּ֝בִטְנָ֗ם תָּכִ֥ין מִרְמָֽה׃ {פ}
Concebem o trabalho, e dão à luz a iniquidade, e o seu ventre prepara enganos.