Ketuvim — leitura cabalística
איוב
Texto massorético (hebraico com nikud) e coluna de tradução via acervo público do Sefaria.
וַיֹּ֣סֶף אִ֭יּוֹב שְׂאֵ֥ת מְשָׁל֗וֹ וַיֹּאמַֽר׃
E prosseguiu Iyov na sua parábola, e disse:
מִֽי־יִתְּנֵ֥נִי כְיַרְחֵי־קֶ֑דֶם כִּ֝ימֵ֗י אֱל֣וֹהַּ יִשְׁמְרֵֽנִי׃
Ah! quem me dera ser como eu fui nos meses passados, como nos dias em que Deus me guardava!
בְּהִלּ֣וֹ נֵ֭רוֹ עֲלֵ֣י רֹאשִׁ֑י לְ֝אוֹר֗וֹ אֵ֣לֶךְ חֹֽשֶׁךְ׃
Quando fazia resplandecer a sua lâmpada sobre a minha cabeça e quando eu pela sua luz caminhava pelas trevas.
כַּאֲשֶׁ֣ר הָ֭יִיתִי בִּימֵ֣י חׇרְפִּ֑י בְּס֥וֹד אֱ֝ל֗וֹהַּ עֲלֵ֣י אׇהֳלִֽי׃
Como era eu nos dias da minha mocidade, quando o segredo de Deus estava sobre a minha tenda;
בְּע֣וֹד שַׁ֭דַּי עִמָּדִ֑י סְבִ֖יבוֹתַ֣י נְעָרָֽי׃
Quando o Todo-Poderoso ainda estava comigo, e os meus filhos ao redor de mim,
בִּרְחֹ֣ץ הֲלִיכַ֣י בְּחֵמָ֑ה וְצ֥וּר יָצ֥וּק עִ֝מָּדִ֗י פַּלְגֵי־שָֽׁמֶן׃
Quando lavava com manteiga os meus passos, e a rocha me deitava rios de azeite.
בְּצֵ֣אתִי שַׁ֣עַר עֲלֵי־קָ֑רֶת בָּ֝רְח֗וֹב אָכִ֥ין מוֹשָׁבִֽי׃
Quando saía a porta da cidade, e na praça mandava preparar o meu assento,
רָא֣וּנִי נְעָרִ֣ים וְנֶחְבָּ֑אוּ וִ֝ישִׁישִׁ֗ים קָ֣מוּ עָמָֽדוּ׃
Os jovens me viam, e se escondiam, e até os idosos se levantavam e se punham em pé.
שָׂ֭רִים עָצְר֣וּ בְמִלִּ֑ים וְ֝כַ֗ף יָשִׂ֥ימוּ לְפִיהֶֽם׃
Os príncipes continham as suas palavras, e punham a mão sobre a sua boca.
קוֹל־נְגִידִ֥ים נֶחְבָּ֑אוּ וּ֝לְשׁוֹנָ֗ם לְחִכָּ֥ם דָּבֵֽקָה׃
A voz dos chefes se calava, e a sua língua se pegava ao seu paladar.
כִּ֤י אֹ֣זֶן שָׁ֭מְעָה וַֽתְּאַשְּׁרֵ֑נִי וְעַ֥יִן רָ֝אֲתָ֗ה וַתְּעִידֵֽנִי׃
Ouvindo-me algum ouvido, me tinha por bem-aventurado; vendo-me algum olho, dava testemunho de mim.
כִּֽי־אֲ֭מַלֵּט עָנִ֣י מְשַׁוֵּ֑עַ וְ֝יָת֗וֹם וְֽלֹא־עֹזֵ֥ר לֽוֹ׃
Pois eu livrava o miserável que clamava, como também o órfão que não tinha quem o socorresse.
בִּרְכַּ֣ת אֹ֭בֵד עָלַ֣י תָּבֹ֑א וְלֵ֖ב אַלְמָנָ֣ה אַרְנִֽן׃
A bênção do que ia perecendo vinha sobre mim, e eu fazia que jubilasse o coração da viúva.
צֶ֣דֶק לָ֭בַשְׁתִּי וַיִּלְבָּשֵׁ֑נִי כִּֽמְעִ֥יל וְ֝צָנִ֗יף מִשְׁפָּטִֽי׃
Vestia-me da justiça, e ela me servia de vestido, como manto e diadema era o meu juízo.
עֵינַ֣יִם הָ֭יִיתִי לַעִוֵּ֑ר וְרַגְלַ֖יִם לַפִּסֵּ֣חַ אָֽנִי׃
Eu fui os olhos do cego, como também os pés do coxo.
אָ֣ב אָ֭נֹכִֽי לָאֶבְיוֹנִ֑ים וְרִ֖ב לֹא־יָדַ֣עְתִּי אֶחְקְרֵֽהוּ׃
Aos necessitados era um pai, e a causa do que eu não conhecia eu esquadrinhava.
וָ֭אֲשַׁבְּרָה מְתַלְּע֣וֹת עַוָּ֑ל וּ֝מִשִּׁנָּ֗יו אַשְׁלִ֥יךְ טָֽרֶף׃
E quebrava os queixais do iníquo, e dos seus dentes tirava a presa.
וָ֭אֹמַר עִם־קִנִּ֣י אֶגְוָ֑ע וְ֝כַח֗וֹל אַרְבֶּ֥ה יָמִֽים׃
E dizia: No meu ninho expirarei, e multiplicarei os meus dias como a areia.
שׇׁרְשִׁ֣י פָת֣וּחַ אֱלֵי־מָ֑יִם וְ֝טַ֗ל יָלִ֥ין בִּקְצִירִֽי׃
A minha raiz se estendia até às águas, e o orvalho fazia assento sobre os meus ramos.
כְּ֭בוֹדִי חָדָ֣שׁ עִמָּדִ֑י וְ֝קַשְׁתִּ֗י בְּיָדִ֥י תַחֲלִֽיף׃
A minha honra se renovava em mim, e o meu arco se reforçava na minha mão.
לִֽי־שָׁמְע֥וּ וְיִחֵ֑לּוּ וְ֝יִדְּמ֗וּ לְמ֣וֹ עֲצָתִֽי׃
Ouviam-me, e esperavam, e em silêncio atendiam ao meu conselho.
אַחֲרֵ֣י דְ֭בָרִי לֹ֣א יִשְׁנ֑וּ וְ֝עָלֵ֗ימוֹ תִּטֹּ֥ף מִלָּתִֽי׃
Depois das minhas palavras não replicavam, e minhas razões destilavam sobre eles.
וְיִחֲל֣וּ כַמָּטָ֣ר לִ֑י וּ֝פִיהֶ֗ם פָּעֲר֥וּ לְמַלְקֽוֹשׁ׃
Esperavam-me como a chuva, e abriam a sua boca como a chuva tardia.
אֶשְׂחַ֣ק אֲ֭לֵהֶם לֹ֣א יַאֲמִ֑ינוּ וְא֥וֹר פָּ֝נַ֗י לֹ֣א יַפִּילֽוּן׃
Se me ria para eles, não o criam, e não faziam abater a luz do meu rosto.
אֶ֥בְחַ֣ר דַּרְכָּם֮ וְאֵשֵׁ֢ב רֹ֥֫אשׁ וְ֭אֶשְׁכּוֹן כְּמֶ֣לֶךְ בַּגְּד֑וּד כַּאֲשֶׁ֖ר אֲבֵלִ֣ים יְנַחֵֽם׃
Eu lhes escolhia o caminho, e me assentava como chefe, e habitava como o rei entre as suas tropas, como aquele que consola os tristes.