Ketuvim — leitura cabalística
קהלת
Texto massorético (hebraico com nikud) e coluna de tradução via acervo público do Sefaria.
Disse eu no meu coração: Ora vem, eu te provarei com a alegria, gozarás dos prazeres, mas eis que também isso era vaidade.
Do riso disse: Está doido, e da alegria: De que serve esta?
Busquei no meu coração como me daria ao vinho, regendo-me, contudo pela sabedoria o meu coração, e como reteria a loucura, até ver o que melhor fosse para os filhos dos homens, que deveriam fazer debaixo do céu, durante o número dos dias de sua vida.
Fiz para mim obras magníficas, edifiquei para mim casas, plantei para mim vinhas.
Fiz para mim hortas e jardins, e plantei neles árvores de toda sorte de fruto.
Fiz para mim tanques de águas, para regar com elas o bosque em que reverdeciam as árvores.
Comprei servos e servas, e tive servos nascidos em casa, também possuí bois e ovelhas, mais do que todos os que houve antes de mim em Yerushalayim.
Amontoei também para mim prata e ouro, e tesouros dos reis e das províncias, provi-me de cantores e cantoras, e das delícias dos filhos dos homens, instrumentos de música, e de toda sorte.
E engrandeci-me, e cresci mais do que todos os que houve antes de mim em Yerushalayim, conservava também comigo a minha sabedoria.
E tudo quanto desejaram os meus olhos não lhes neguei, nem privei o meu coração de alegria alguma, pois o meu coração se alegrou por todo o meu trabalho, e esta foi a minha porção de todo o meu trabalho.
E olhei eu para todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também para o trabalho que eu, trabalhando, tinha feito, e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito, e que proveito nenhum havia debaixo do sol.
Então passei a contemplar a sabedoria, e os desvarios, e a loucura, pois que fará o homem que seguir ao rei? O mesmo que outros já fizeram.
Então vi eu que a sabedoria é mais excelente do que a loucura, quanto a luz é mais excelente do que as trevas.
Os olhos do sábio estão na sua cabeça, mas o tolo anda em trevas, e também entendi eu que o mesmo lhes sucede a todos.
Pelo que eu disse no meu coração: Como acontece ao tolo, assim me sucederá a mim, por que então busquei eu mais a sabedoria? Então disse no meu coração que também isto era vaidade.
Pois nunca haverá mais lembrança do sábio do que do tolo, porquanto de tudo quanto agora há, nos dias futuros tudo será esquecido, e morre o sábio como o tolo!
Pelo que aborreci esta vida, pois a obra que se faz debaixo do sol me parecia má, porque tudo é vaidade e aflição de espírito.
Também eu aborreci todo o meu trabalho, em que trabalhei debaixo do sol, visto como eu havia de deixá-lo ao homem que viesse depois de mim.
E quem sabe se será sábio ou tolo? Contudo dominará sobre todo o meu trabalho em que trabalhei, e em que me houve sabiamente debaixo do sol, também isto é vaidade.
Pelo que eu me apliquei a fazer que o meu coração perdesse a esperança de todo o trabalho, em que trabalhei debaixo do sol.
Pois há homem cujo trabalho é feito com sabedoria, e com ciência, e com destreza, contudo a um homem que não trabalhou nele lho deixará por sua porção, também isto é vaidade e grande mal.
Pois que mais tem o homem de todo o seu trabalho, e da fadiga do seu coração, em que ele anda trabalhando debaixo do sol?
Pois todos os seus dias são dores, e o seu trabalho desgosto, até de noite não descansa o seu coração, também isto é vaidade.
Não há coisa melhor para o homem do que comer, beber, e fazer que a sua alma goze do bem do seu trabalho, mas também vi eu que esta vem da mão de Deus.
Pois quem pode comer, ou quem pode gozar mais do que eu?
Pois ao homem que é bom diante dele, dá Deus sabedoria, e conhecimento, e alegria, mas ao pecador dá trabalho, para que ele ajunte, e amontoe, para o dar ao que é bom diante de Deus, também isto é vaidade, e aflição de espírito.