Ketuvim — leitura cabalística
קהלת
Texto massorético (hebraico com nikud) e coluna de tradução via acervo público do Sefaria.
Não te precipites com a tua boca, nem o teu coração se apresse a pronunciar palavra alguma diante de Deus, pois Deus está nos céus, e tu estás sobre a terra, pelo que sejam poucas as tuas palavras.
Pois, da muita ocupação vêm os sonhos, e a voz do tolo da multidão das palavras.
Quando a Deus fizeres algum voto, não tardes em cumpri-lo, pois ele não se agrada de tolos, o que votares, paga-o.
Melhor é que não votes do que votares e não pagares.
Não consintas que a tua boca faça pecar a tua carne, nem digas diante do anjo que foi engano, por que se iraria Deus contra a tua voz, que destruísse a obra das tuas mãos?
Pois, como na multidão dos sonhos há vaidades, assim mesmo nas muitas palavras, mas tu teme a Deus.
Se vires em alguma província opressão de pobres, e violência em juízo e justiça, não te maravilhes de semelhante caso, pois quem está mais alto observa o que está alto, e há mais altos do que eles.
O proveito da terra é para todos, até o rei se serve do campo.
O que amar o dinheiro nunca se fartará de dinheiro, e quem amar a abundância nunca se fartará da renda, também isto é vaidade.
Onde os bens se multiplicam, ali se multiplicam também os que deles comem, que mais proveito, pois, têm os seus donos do que os verem com os seus olhos?
Doce é o sono do trabalhador, quer coma pouco, quer muito, mas a fartura do rico não o deixa dormir.
Há um mal grave que vi debaixo do sol, riquezas que seus donos guardam para o seu próprio mal.
Pois as mesmas riquezas se perdem por qualquer má aventura, e havendo o tal gerado um filho, nada lhe fica na sua mão.
Como saiu do ventre de sua mãe, assim nu voltará, indo-se como veio, e nada tomará do seu trabalho, que possa levar na sua mão.
Também isto é grave mal, que, infalivelmente, como veio, assim se vai, e que proveito lhe vem de trabalhar para o vento?
Também todos os seus dias come nas trevas, e muito se enfada, e se aborrece, e se indigna.
Eis aqui o que eu vi, uma boa e bela coisa, comer e beber, e gozar cada um do bem de todo o seu trabalho, em que trabalhou debaixo do sol, durante o número dos dias da sua vida que Deus lhe deu, pois esta é a sua porção.
E quanto ao homem, a quem Deus deu riquezas e fazenda, e lhe deu poder para delas comer, e tomar a sua porção, e gozar do seu trabalho, isso é dom de Deus.
Pois não se lembrará muito dos dias da sua vida, porquanto Deus lhe responde com alegria do seu coração.