Ketuvim — leitura cabalística
קהלת
Texto massorético (hebraico com nikud) e coluna de tradução via acervo público do Sefaria.
Há um mal que vi debaixo do sol, e mui frequente é entre os homens:
Um homem a quem Deus deu riquezas, fazenda e honra, e nada lhe falta de tudo quanto a sua alma deseja, e Deus não lhe dá poder para daí comer, antes o estranho lho come, também isto é vaidade e má enfermidade.
Se o homem gerar cem filhos, e viver muitos anos, e os dias dos seus anos forem muitos, porém se a sua alma se não fartar do bem, e além disso não tiver sepultura, digo que um aborto é melhor do que ele.
Pois debalde veio, e em trevas se vai, e de trevas se cobre o seu nome.
E ainda que nunca viu o sol, nem o conheceu, mais descanso tem este do que aquele.
E ainda que vivesse duas vezes mil anos e não experimentasse o bem, porventura todos não vão para o mesmo lugar?
Todo o trabalho do homem é para a sua boca, e contudo nunca se enche a sua cobiça.
Pois, que mais tem o sábio do que o tolo? E que mais tem o pobre que sabe andar perante os vivos?
Melhor é a vista dos olhos do que o andar ocioso da cobiça, também isto é vaidade e aflição de espírito.
Seja qualquer o que for, já o seu nome foi nomeado, e sabe-se que é homem, e que não pode contender com o que é mais forte do que ele.
Visto que há muitas coisas que multiplicam a vaidade, que mais tem o homem com isso?
Pois quem sabe o que é bom para o homem nesta vida, durante o número dos dias da vida da sua vaidade, os quais gasta como sombra? Pois quem declarará ao homem o que será depois dele debaixo do sol?