Ketuvim — leitura cabalística
איוב
Texto massorético (hebraico com nikud) e coluna de tradução via acervo público do Sefaria.
A minha alma tem tédio à minha vida; darei livre curso à minha queixa, falarei na amargura da minha alma.
Direi a Deus: Não me condenes, faze-me saber por que contendes comigo.
Parece-te bem oprimir-me, e desprezar a obra das tuas mãos, e dares luz sobre o conselho dos ímpios?
Tens tu porventura olhos de carne? Vês tu como vê o homem?
São os teus dias como os dias do homem? Ou são os teus anos como os anos de um homem,
Para te informares da minha iniquidade, e averiguares o meu pecado?
Bem sabes tu que eu não sou ímpio, todavia ninguém há que me livre da tua mão.
As tuas mãos me fizeram e me formaram juntamente em redor, contudo me consomes.
Peço-te que te lembres de que como barro me formaste, e tornar-me-ás em pó?
Porventura não me vazaste como leite, e como queijo me não coalhaste?
De pele e carne me vestiste, e de ossos e nervos me teceste.
Vida e misericórdia me concedeste, e o teu cuidado guardou o meu espírito.
Mas estas coisas ocultaste no teu coração, bem sei eu que isto esteve contigo.
Se eu pecar, tu me observas, e da minha iniquidade não me terás por inocente.
Se for ímpio, ai de mim! E se for justo, não levantarei a minha cabeça, farto estou de afronta; vê, pois, a minha aflição.
Pois se a minha cabeça se exaltasse, tu me caçarias como a um leão feroz, e tornarias a fazer maravilhas contra mim.
Tu renovas contra mim as tuas testemunhas, e multiplicas contra mim a tua ira; reveses e combate estão comigo.
Por que me tiraste então do ventre? Houvera eu morrido, e nenhum olho me visse!
Fora como se nunca houvera sido; e desde o ventre fora levado à sepultura!
Porventura não são poucos os meus dias? Cessa, pois, e deixa-me, para que por um pouco eu tome alento;
Antes que vá, e nunca mais volte, à terra da escuridão e da sombra da morte;
Terra escuríssima, como a mesma escuridão, terra da sombra, da morte e sem ordem alguma e onde a luz é como a escuridão.