Ketuvim — leitura cabalística
איוב
Texto massorético (hebraico com nikud) e coluna de tradução via acervo público do Sefaria.
Eis que tudo isto viram os meus olhos, e os meus ouvidos o ouviram e entenderam.
Como vós o sabeis, também eu o sei, não vos sou inferior.
Mas eu falarei ao Todo-Poderoso, e quero defender-me perante Deus.
Vós, porém, sois inventores de mentiras, e vós todos médicos que não valem nada.
Oxalá vos calásseis de todo! Que isso seria a vossa sabedoria.
Ouvi agora a minha defesa, e escutai as alegações dos meus lábios.
Porventura por Deus falareis perversidade, e por ele falareis engano?
Fareis aceitação da sua pessoa? Contendereis vós por Deus?
Ser-vos-ia bom, se ele vos esquadrinhasse? Ou zombareis dele, como se zomba de um homem?
Certamente vos repreenderá, se em oculto fizerdes aceitação de pessoas.
Porventura não vos espantará a sua alteza? E não cairá sobre vós o seu terror?
As vossas memórias são como cinza, as vossas defesas como defesas de barro.
Calai-vos perante mim, para que eu fale, e venha sobre mim o que vier.
Por que razão tomo eu a minha carne com os meus dentes, e ponho a minha vida na minha mão?
Ainda que ele me matasse, nele esperarei, contudo os meus caminhos defenderei diante dele.
Também isso será a minha salvação, pois um hipócrita não viria perante ele.
Ouvi com atenção as minhas razões, e com os vossos ouvidos a minha declaração.
Eis que já tenho ordenado a minha causa, e sei que serei achado justo.
Quem é o que contenderá comigo? Pois então me calaria e renderia o espírito.
Duas coisas somente não faças para comigo, então me não esconderei do teu rosto:
Desvia a tua mão para longe de mim, e não me espante o teu terror.
Chama, pois, e eu responderei, ou eu falarei, e tu me responderás.
Quantas culpas e pecados tenho eu? Notifica-me a minha transgressão e o meu pecado.
Por que escondes o teu rosto, e me tens por teu inimigo?
Porventura quebrantarás a folha arrebatada do vento? E perseguirás a palha seca?
Pois escreves contra mim coisas amargas, e me fazes herdar as iniquidades da minha mocidade.
Também pões no tronco os meus pés, e observas todos os meus caminhos, e marcas as solas dos meus pés.
Apesar disso, eu me consumo como uma podridão, e como o vestido, ao qual rói a traça.