Ketuvim — leitura cabalística
איוב
Texto massorético (hebraico com nikud) e coluna de tradução via acervo público do Sefaria.
Então respondeu Iyov, e disse:
Até quando entristecereis a minha alma, e me quebrantareis com palavras?
Já dez vezes me afrontastes, vergonha não tendes de me maltratardes.
Embora haja eu, na verdade, errado, comigo ficará o meu erro.
Se devéras vos levantais contra mim, e me argúis com o meu opróbrio,
Sabei agora que Deus é o que me transtornou, e com a sua rede me cercou.
Eis que clamo: Violência! Mas não sou ouvido, grito: Socorro! Mas não há justiça.
O meu caminho entrincheirou, e já não posso passar, e nas minhas veredas pôs trevas.
Da minha honra me despojou, e tirou-me a coroa da minha cabeça.
Derrubou-me de todos os lados, e pereço, e arrancou a minha esperança, como a uma árvore.
E acendeu contra mim a sua ira, e me reputou para consigo, como a seus inimigos.
Juntas vieram as suas tropas, e prepararam contra mim o seu caminho, e se acamparam ao redor da minha tenda.
Pôs longe de mim a meus irmãos, e os que me conhecem estão como estranhos para comigo.
Os meus parentes me deixaram, e os meus conhecidos se esqueceram de mim.
Os meus domésticos e as minhas servas me reputaram por um estranho, vim a ser um estrangeiro aos seus olhos.
Chamei a meu criado, e ele me não respondeu, suplicando-lhe eu por minha própria boca.
O meu hálito é estranho à minha mulher, e pelo amor dos filhos do meu ventre.
Até os meninos me desprezam, e, levantando-me eu, falam contra mim.
Todos os homens da minha confidência me abominam, e até os que eu amava se tornaram contra mim.
Os meus ossos se apegaram à minha pele e à minha carne, e escapei só com a pele dos meus dentes.
Compadecei-vos de mim, amigos meus, compadecei-vos de mim, pois a mão de Deus me tocou.
Por que me perseguis assim como Deus, e da minha carne não vos fartais?
Quem me dera, agora, que as minhas palavras se escrevessem! Quem me dera, que se gravassem num livro!
E que com pena de ferro, e com chumbo, para sempre fossem esculpidas na rocha!
Pois eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra.
E depois de consumida a minha pele, contudo desde a minha carne verei a Deus,
A quem eu verei por mim mesmo, e os meus olhos o verão, e não outros, ainda que o meu coração se consuma dentro de mim.
Visto que dizeis: Como o perseguiremos? E não a causa primária se acha em mim,
Temei vós mesmos a espada, pois o furor é castigado com a espada, para saberdes que há um juízo.