Ketuvim — leitura cabalística
איוב
Texto massorético (hebraico com nikud) e coluna de tradução via acervo público do Sefaria.
Respondeu, porém, Iyov, e disse:
Ouvi atentamente as minhas razões, e isto vos sirva de consolações.
Sofrei-me, e eu falarei, e, havendo eu falado, zombai.
Porventura eu me queixo a algum homem? Mas, ainda que assim fosse, por que se não angustiaria o meu espírito?
Olhai para mim, e pasmai, e ponde a mão sobre a boca.
Pois, quando me lembro disto, me perturbo, e a minha carne é sobressaltada de horror.
Por que razão vivem os ímpios? Envelhecem, e ainda se esforçam em poder?
A sua semente se estabelece com eles nas suas vistas, e os seus renovos diante dos seus olhos.
As suas casas têm paz, sem temor, e a vara de Deus não está sobre eles.
O seu touro gera, e não falha, a sua vaca pare, e não aborta.
Mandam fora as suas crianças, como a um rebanho, e os seus filhos andam saltando.
Levantam a voz, ao som do tamboril e da harpa, e regozijam-se ao som do órgão.
Passam os seus dias em bem, e num momento descem ao Sheol.
E, todavia, dizem a Deus: Retira-te de nós, pois não desejamos ter conhecimento dos teus caminhos.
Quem é o Todo-Poderoso, para que nós o sirvamos? E que nos aproveitará que lhe façamos orações?
Vede, porém, que não está na mão deles a sua felicidade; longe de mim esteja o conselho dos ímpios!
Quantas vezes sucede que se apaga a lâmpada dos ímpios, e lhes sobrevém a sua destruição, e Deus na sua ira lhes reparte dores!
São como a palha diante do vento, e como a pragana, que arrebata o redemoinho.
Deus guarda a sua violência para seus filhos, recompensa-lhe, e ele o sentirá.
Seus olhos verão a sua ruína, e ele beberá do furor do Todo-Poderoso.
Pois, que prazer teria na sua casa, depois de si, cortando-se o número dos seus meses?
Porventura a Deus se ensinaria ciência, a ele que julga os excelsos?
Este morre na força da sua plenitude, estando todo quieto e sossegado.
Os seus baldes estão cheios de leite, e os seus ossos estão regados de tutanos.
E outro morre, ao contrário, na amargura do seu coração, não havendo provado do bem.
Juntamente jazem no pó, e os bichos os cobrem.
Eis que conheço bem os vossos pensamentos, e os maus intentos com que injustamente me fazeis violência.
Pois direis: Onde está a casa do príncipe? E onde a tenda em que morava o ímpio?
Porventura não perguntastes aos que passam pelo caminho, e não conheceis os seus sinais?
Que o mau é preservado para o dia da destruição, e são levados no dia do furor?
Quem acusará diante dele o seu caminho? E quem lhe dará o pago do que faz?
Finalmente é levado às sepulturas, e cuida-se sobre o túmulo.
Os torrões do vale lhe são doces, e atrai a si a todo homem, e diante de si há inúmeros.
Como, pois, me consolais com vaidade? Pois nas vossas respostas só resta a perfídia.