Neviim — leitura cabalística
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Texto massorético (hebraico com nikud) e coluna de tradução via acervo público do Sefaria.
E foi-se Shimshon a Aza, e viu lá uma mulher prostituta, e entrou a ela.
E foi dito aos gazitas: Shimshon entrou aqui. Cercaram-no, pois, e armaram-lhe espera toda a noite à porta da cidade; porém estiveram quietos toda a noite, dizendo: Até à luz da manhã esperaremos; então o mataremos.
Porém Shimshon esteve deitado até à meia-noite, e à meia-noite se levantou, e travou das portas da entrada da cidade com ambas as umbreiras, e juntamente com a tranca as tomou, pondo-as sobre os ombros; e levou-as para cima até ao cume do monte que está defronte de Chevron.
E depois disto aconteceu que se afeiçoou a uma mulher do vale de Sorek, cujo nome era Delilá.
Então os príncipes dos filisteus subiram a ela, e lhe disseram: Persuade-o, e vê em que consiste a sua grande força, e com que poderíamos prevalecer contra ele e amarrá-lo, para assim o subjugarmos; e te daremos cada um mil e cem peças de prata.
Disse, pois, Delilá a Shimshon: Declara-me, peço-te, em que consiste a tua grande força, e com que poderias ser amarrado, para te poderem subjugar.
Disse-lhe Shimshon: Se me amarrassem com sete vergas de vime frescas, ainda não secas, então me enfraqueceria, e seria como qualquer outro homem.
Então os príncipes dos filisteus lhe trouxeram sete vergas de vime frescas, ainda não secas; e amarrou-o com elas.
E os espias estavam assentados com ela numa câmara. Então ela lhe disse: Os filisteus vêm sobre ti, Shimshon. Então quebrou as vergas de vime, como se quebra o fio da estopa, ao cheirar o fogo; assim não se soube em que consistia a sua força.
Então disse Delilá a Shimshon: Eis que zombaste de mim, e me disseste mentiras; ora declara-me agora com que poderias ser amarrado.
E ele lhe disse: Se me amarrassem fortemente com cordas novas, com que se não houvesse feito obra nenhuma, então me enfraqueceria, e seria como qualquer outro homem.
Então Delilá tomou cordas novas, e o amarrou com elas, e disse-lhe: Os filisteus vêm sobre ti, Shimshon; e os espias estavam assentados numa câmara. Então as quebrou de seus braços como a um fio.
E disse Delilá a Shimshon: Até agora zombaste de mim, e me disseste mentiras; declara-me pois agora com que poderias ser amarrado? E ele lhe disse: Se teceres sete tranças dos cabelos da minha cabeça com a urdidura.
E ela as fixou com uma estaca, e disse-lhe: Os filisteus vêm sobre ti, Shimshon. Então despertou do seu sono, e arrancou a estaca das tranças tecidas, juntamente com a urdidura.
Então ela lhe disse: Como dirás: Tenho-te amor, não estando comigo o teu coração? Já três vezes zombaste de mim, e ainda não me declaraste em que consiste a tua grande força.
E sucedeu que, importunando-o ela todos os dias com as suas palavras, e molestando-o, a sua alma se angustiou até à morte.
E descobriu-lhe todo o seu coração, e disse-lhe: Nunca subiu navalha à minha cabeça, porque sou nazireu de Deus desde o ventre de minha mãe; se viesse a ser rapado, ir-se-ia de mim a minha força, e me enfraqueceria, e seria como qualquer outro homem.
Vendo, pois, Delilá que já lhe descobrira todo o seu coração, enviou e chamou os príncipes dos filisteus, dizendo: Subi mais esta vez; porque agora me descobriu ele todo o seu coração. E os príncipes dos filisteus subiram a ela, e trouxeram com eles aquele dinheiro nas suas mãos.
Então ela o fez dormir sobre os seus joelhos, e chamou a um homem, e rapou-lhe as sete tranças do cabelo de sua cabeça; e começou a afligi-lo, e retirou-se dele a sua força.
E disse ela: Os filisteus vêm sobre ti, Shimshon. E despertou do seu sono, e disse: Sairei ainda esta vez como dantes, e me sacudirei. Porém ele não sabia que já Ado-nai se tinha retirado dele.
Então os filisteus pegaram nele, e lhe arrancaram os olhos, e fizeram-no descer a Aza, e amarraram-no com duas cadeias de bronze, e girava ele um moinho no cárcere.
E o cabelo da sua cabeça lhe começou a crescer, como antes se rapou.
Então os príncipes dos filisteus se ajuntaram para oferecer um grande sacrifício ao seu deus Dagon, e para se alegrarem, e diziam: Nosso deus nos entregou nas mãos a Shimshon, nosso inimigo.
Semelhantemente, vendo-o o povo, louvavam ao seu deus; porque diziam: Nosso deus nos entregou na mão o nosso inimigo, e ao que destruía a nossa terra, e ao que multiplicava os nossos mortos.
E sucedeu que, alegrando-se-lhes o coração, disseram: Chamai a Shimshon, para que brinque diante de nós. E chamaram a Shimshon do cárcere, e brincou diante deles, e fizeram-no estar em pé entre as colunas.
Então Shimshon disse ao moço que o tinha pela mão: Deixa-me, para que apalpe as colunas em que se sustém a casa, para que me encoste a elas.
Ora estava a casa cheia de homens e mulheres; e também ali estavam todos os príncipes dos filisteus; e sobre o telhado havia alguns três mil homens e mulheres, que estavam vendo brincar Shimshon.
Shimshon, pois, clamou a Ado-nai, e disse: Senhor Ado-nai, peço-te que te lembres de mim, e esforça-me agora só esta vez, ó Deus, para que de uma só vez me vingue dos filisteus, pelos meus dois olhos.
Abraçou-se, pois, Shimshon com as duas colunas do meio, em que se sustinha a casa, e arrimou-se sobre elas, uma à sua direita, e a outra à sua esquerda.
E disse Shimshon: Morra eu com os filisteus. E inclinou-se com toda a sua força, e caiu a casa sobre os príncipes e sobre todo o povo que nela havia; e foram mais os mortos que matou na sua morte do que os que matara na sua vida.
Então seus irmãos desceram, e toda a casa de seu pai, e tomaram-no, e subiram com ele, e sepultaram-no entre Tzorá e Eshtaol, no sepulcro de seu pai Manoach; e julgou ele a Israel vinte anos.