Toráh — leitura cabalística
בראשית
Texto massorético (hebraico com nikud) e coluna de tradução via acervo público do Sefaria.
Naquele tempo, Judá apartou-se de seus irmãos e acampou perto de um adulamita chamado Hirá.
Ali Judá viu a filha de um cananeu chamado Suá; tomou-a por mulher e coabitou com ela.
Ela concebeu e deu à luz um filho, ao qual ele deu o nome de Er.
Concebeu de novo e deu à luz um filho, ao qual deu o nome de Onã.
Tornou a conceber e deu à luz um filho, ao qual deu o nome de Selá; estava em Quezibe quando o teve.
Judá tomou mulher para Er, seu primogênito; o nome dela era Tamar.
Er, primogênito de Judá, era mau aos olhos de Deus; e Deus o matou.
Então Judá disse a Onã: "Ajunta-te com a mulher do teu irmão e cumpre para com ela o dever de cunhado, e suscita descendência a teu irmão."
Sabendo Onã que essa descendência não seria sua, logo que ajuntava à mulher do seu irmão, destruía [o sêmen] na terra, para não dar descendência a seu irmão.
O que fazia era mau aos olhos de Deus, que também o matou.
Disse Judá a Tamar, sua nora: "Fica viúva na casa de teu pai até que meu filho Selá seja homem" — porque dizia: "Para que não morra também ele como seus irmãos." Assim Tamar foi habitar na casa de seu pai.
Passado muito tempo, morreu a filha de Suá, mulher de Judá. Consumado o luto, Judá subiu a Timná, aos seus tosquiadores de ovelhas, com Hirá seu amigo, o adulamita.
E deram aviso a Tamar: "Eis que teu sogro sobe a Timná para tosquiar as suas ovelhas."
Ela tirou de si as vestes de viúva, cobriu-se com o véu e envolveu-se, e assentou-se à entrada de Enaim, que está no caminho de Timná; porque viu que Selá era homem, e ela lhe não fora dada por mulher.
Vendo-a Judá, teve-a por prostituta, pois ela havia coberto o rosto.
Desviou-se para ela junto ao caminho e disse: "Deixa-me, peço-te, ajuntar-me contigo" — porque não sabia que era sua nora. Perguntou ela: "Que me darás para ajuntares-te comigo?"
Respondeu: "Enviarei um cabrito do meu rebanho." Disse ela: "Darás penhor até que o envies."
Disse ele: "Que penhor te darei?" Respondeu ela: "O teu selo, o teu cordão e o cajado que tens na mão." Deu-lhos ele e ajuntou-se com ela; e ela concebeu dele.
Levantou-se ela e foi-se; tirou de si o véu e vestiu novamente as vestes de viúva.
Judá enviou o cabrito por mão de seu amigo o adulamita, para tomar o penhor da mulher; mas não a achou.
Perguntou aos homens daquele lugar: "Onde está a dedicada que estava em Enaim junto ao caminho?" Disseram eles: "Aqui não há dedicada."
Voltou ele a Judá e disse: "Não a achei; e até os homens daquele lugar disseram: Aqui não há dedicada."
Disse Judá: "Fique ela com eles, para que não sejamos objeto de escárnio; eu te enviei este cabrito, mas não a achaste."
Aconteceu que, quase três meses depois, deram aviso a Judá: "Tamar, tua nora, prostituiu-se; e eis que está grávida por causa da sua prostituição." Disse Judá: "Tirai-a fora, para que seja queimada."
Sendo ela tirada fora, mandou dizer a seu sogro: "Do homem cujo é isto estou grávida." Disse mais: "Examina de quem são este selo, este cordão e este cajado."
Judá reconheceu-os e disse: "Mais justa é ela do que eu; porquanto não lhe dei a meu filho Selá." E não mais a conheceu.
Quando chegou o tempo de dar à luz, havia gêmeos em seu ventre.
Estando ela de parto, um pôs fora a mão; e a parteira atou um fio vermelho à sua mão, dizendo: "Este saiu primeiro."
Mas ele tornou a meter a mão, e saiu seu irmão; e ela disse: "Que brecha te fizeste!" Chamaram-lhe Perez.
Depois saiu seu irmão, que tinha o fio vermelho na mão; chamaram-lhe Zerá.