Ketuvim — leitura cabalística
איוב
Texto massorético (hebraico com nikud) e coluna de tradução via acervo público do Sefaria.
Sabes tu o tempo em que as cabras montesas dão suas crias? Ou observaste as cervas quando dão à luz?
Contarás os meses que cumprem? Ou sabes o tempo do seu parto?
Quando se encurvam, fazem sair os seus filhos, lançam fora as suas dores.
Seus filhos enrijam, crescem com o trigo, saem, e nunca mais tornam para elas.
Quem despediu livre o jumento montês? E quem soltou as prisões ao jumento bravo,
Ao qual dei o ermo por casa, e a terra salgada por suas moradas?
Ri-se do tumulto da cidade, não ouve os muitos gritos do exator.
O que descobre nos montes é o seu pasto, e procura toda a verdura.
Porventura quererá o unicórnio servir-te? Ou ficará junto à tua manjedoura?
Ou amarrarás o unicórnio com a sua corda no rego? Ou estorroará após ti os vales?
Ou confiarás nele, por ser grande a sua força? Ou deixarás a seu cargo o teu trabalho?
Ou fiarás dele que te torne o que semeaste e o recolherá na tua eira?
Vens aqui a asa da avestruz, que bate alegremente, mas serão suas asas e penas como as da cegonha?
Que deixa os seus ovos na terra, e os aquenta no pó.
E se esquece de que algum pé os pise, ou de que os animais do campo os pisem.
Endurece-se para com seus filhos, como se não fossem seus, em vão é seu trabalho, mas isso sem temor.
Pois Deus a privou de sabedoria, e não lhe repartiu entendimento.
A seu tempo se levanta ao alto, ri-se do cavalo, e do que vai montado nele.
Ou darás tu força ao cavalo? Ou revestirás o seu pescoço com crina ondeante?
Ou espantá-lo-ás, como ao gafanhoto? Terrível é o fogoso respirar das suas ventas.
Escarva a terra, e folga na sua força, e sai ao encontro dos armados.
Ri-se do temor, e não se espanta, e não torna atrás por causa da espada.
Contra ele rangem a aljava, o ferro flamante da lança e do dardo.
Sacudindo-se, e removendo-se com ímpeto, devora a terra, e não acredita ser o sonido da trombeta.
Em cada sonido da trombeta diz: Bem! E de longe cheira a guerra, e o trovão dos príncipes, e o alarido.
Voa o gavião pelo teu entendimento, e estende as suas asas para o sul?
Ou se remonta a águia ao teu mandado, e põe no alto o seu ninho?
Nas penhas mora e habita, no cume das penhas, e nos lugares seguros.
Desde ali descobre a presa, seus olhos a contemplam desde longe.
E seus filhos chupam o sangue, e onde há mortos, ali está.