Ketuvim — leitura cabalística
איוב
Texto massorético (hebraico com nikud) e coluna de tradução via acervo público do Sefaria.
Então Iyov respondeu, e disse:
Oh! se a minha mágoa retamente se pesasse, e a minha miséria juntamente se pusesse numa balança!
Pois mais pesada seria, do que a areia dos mares, por isso é que as minhas palavras se hão devorado.
Pois as flechas do Todo-Poderoso estão em mim, cujo ardente veneno o meu espírito suga, os terrores de Deus me afrontam.
Porventura zurra o jumento montês junto à relva? Ou muge o boi junto ao seu pasto?
Ou comer-se-á sem sal o que é insípido? Ou haverá gosto na clara do ovo?
A minha alma recusa tocá-las, pois são para mim como comida nojenta.
Quem dera que se cumprisse o meu desejo, e que Deus me desse o que espero!
E que Deus quisesse quebrantar-me, e soltasse a sua mão, e me acabasse!
Isto ainda seria a minha consolação, e me regozijaria na dor, embora não me poupe; pois não ocultei as palavras do Santo.
Qual é a minha força, para que eu espere? Ou qual é o meu fim, para que prolongue a minha vida?
É porventura a minha força a força das pedras? Ou é de cobre a minha carne?
Está em mim a minha ajuda? Ou desamparou-me a verdadeira sabedoria?
Ao que está aflito devia o amigo mostrar compaixão, ainda ao que deixasse o temor do Todo-Poderoso.
Meus irmãos aleivosamente me trataram, como um ribeiro, como a torrente dos ribeiros que passam.
Que estão encobertos com a geada, e neles se esconde a neve.
No tempo em que se derretem com o calor se desfazem, e em se aquentando, desaparecem do seu lugar.
Desviam-se as veredas dos seus caminhos, sobem ao vácuo, e perecem.
Os caminhantes de Tema os veem, os passageiros de Sheba esperam por eles.
Foram envergonhados, por terem confiado, e, chegando ali, se confundem.
Agora sois semelhantes a eles; vistes o terror, e temestes.
Disse-vos eu: Dai-me ou oferecei-me da vossa fazenda presentes?
Ou livrai-me das mãos do opressor? Ou redimi-me das mãos dos tiranos?
Ensinai-me, e eu me calarei, e dai-me a entender em que errei.
Oh! quão fortes são as palavras de boa razão! Mas que é o que censura a vossa argumentação?
Porventura buscareis palavras para me reprovar, visto que as razões do desesperado são como vento?
Mesmo sobre o órfão lançaríeis sortes, e cavaríeis uma cova para o vosso amigo.
Agora, pois, se sois servidos, virai-vos para mim, e vede se minto em vossa presença.
Volvei pois, não haja iniquidade, tornai-vos, digo, que ainda se trata da minha justiça.
Há iniquidade na minha língua? Ou não poderia o meu paladar distinguir coisas perversas?