Ketuvim — leitura cabalística
איוב
Texto massorético (hebraico com nikud) e coluna de tradução via acervo público do Sefaria.
Porventura não tem o homem guerra sobre a terra? E não são os seus dias como os dias do jornaleiro?
Como o servo que suspira pela sombra, e como o jornaleiro que espera pela sua paga,
Assim me deram por herança meses de vaidade, e noites de trabalho me prepararam.
Deitando-me a dormir, então digo: Quando me levantarei? Mas comprida é a noite, e farto-me de virar-me na cama até à alva.
A minha carne se tem vestido de bichos e de torrões de pó, a minha pele se encrespa e se torna abominável.
Os meus dias são mais velozes do que a lançadeira do tecelão, e se acabam sem esperança.
Lembra-te de que a minha vida é um sopro, os meus olhos não tornarão a ver o bem.
Os olhos dos que agora me veem não me verão mais, os teus olhos estarão sobre mim, mas não serei mais.
Tal como a nuvem se desfaz e passa, assim aquele que desce ao Sheol nunca tornará a subir.
Nunca mais tornará à sua casa, nem o seu lugar jamais o conhecerá.
Por isso não reprimirei a minha boca, falarei na angústia do meu espírito, queixar-me-ei na amargura da minha alma.
Sou eu porventura um mar, ou uma baleia, para que me ponhas uma guarda?
Dizendo eu: Consolar-me-á a minha cama, meu leito aliviará a minha ânsia,
Então me espantas com sonhos, e com visões me assombras.
Pelo que a minha alma escolhe a estrangulação, e antes a morte do que a vida.
A minha vida abomino, pois não viverei para sempre, retira-te de mim, pois vaidade são os meus dias.
Que é o homem, para que tanto o estimes, e ponhas sobre ele o teu coração?
E cada manhã o visites, e cada momento o proves?
Até quando me não deixarás, nem me largarás, até que engula a minha saliva?
Se pequei, que te farei eu, ó Guardador dos homens? Por que fizeste de mim o teu alvo, para que eu seja pesado a mim mesmo?
E por que me não perdoas a minha transgressão, e não tiras a minha iniquidade? Pois agora me deitarei no pó, e de madrugada me buscarás, e não estarei lá.