Ketuvim — leitura cabalística
איכה
Texto massorético (hebraico com nikud) e coluna de tradução via acervo público do Sefaria.
Como se escureceu o ouro! Como se mudou o ouro fino e bom! Como estão espalhadas as pedras do santuário ao canto de todas as ruas!
Os preciosos filhos de Tzion, comparáveis a ouro puro, como são reputados por vasos de barro, obra das mãos do oleiro!
Até os chacais dão o peito, dão de mamar aos seus filhos, mas a filha do meu povo tornou-se cruel como os avestruzes no deserto.
A língua do que mama está pegada pela sede ao seu paladar, os meninos pedem pão, e ninguém lho reparte.
Os que comiam delicadamente estão desolados nas ruas, os que se criaram em carmesim abraçam o esterco.
Pois maior é a maldade da filha do meu povo do que o pecado de Sedom, a qual foi subvertida como num momento, sem que mãos lhe tocassem.
Os seus nobres eram mais puros do que a neve, mais brancos do que o leite, mais vermelhos de corpo do que os rubis, mais polidos do que a safira.
Mas agora escurece o seu aspecto mais do que o negrume, não se conhecem nas ruas, a sua pele se lhes pegou aos ossos, secou-se, tornou-se como um pau.
Os mortos à espada estão melhor do que os mortos pela fome, pois estes definham, como traspassados pela falta dos frutos dos campos.
As mãos das mulheres compassivas cozeram seus próprios filhos, serviram-lhes de alimento na destruição da filha do meu povo.
Deu Ado-nai cumprimento ao seu furor, derramou o ardor da sua ira, e acendeu um fogo em Tzion, que consumiu os seus fundamentos.
Não creram os reis da terra, nem todos os moradores do mundo, que entrasse o adversário e o inimigo pelas portas de Yerushalayim.
Foi por causa dos pecados dos seus profetas, das maldades dos seus sacerdotes, que derramaram o sangue dos justos no meio dela.
Erram como cegos nas ruas, contaminam-se de sangue, de tal sorte que ninguém pode tocar nas suas roupas.
Apartai-vos, imundos, gritavam-lhes; apartai-vos, apartai-vos, não toqueis, contudo voavam, e quando vagueavam dizia-se entre as nações: Nunca mais morarão aqui.
A face de Ado-nai os apartou, nunca mais atentará para eles, não respeitaram a face dos sacerdotes, nem se apiedaram dos velhos.
Os nossos olhos desfaleciam, esperando o nosso vão socorro, olhamos atentamente para uma nação que não podia livrar.
Espiaram os nossos passos, de maneira que não podíamos andar pelas nossas ruas, está chegado o nosso fim, estão cumpridos os nossos dias, é chegado o nosso fim.
Os nossos perseguidores foram mais ligeiros do que as águias do céu, sobre os montes nos perseguiram, no deserto nos armaram ciladas.
O fôlego das nossas narinas, o ungido de Ado-nai, foi preso nas suas covas, dele dizíamos: Debaixo da sua sombra viveremos entre as nações.
Regozija-te, e alegra-te, ó filha de Edom, que habitas na terra de Utz, mas o cálice virá também a ti; embebedar-te-ás, e te despirás.
Já se cumpriu, filha de Tzion, a tua maldade, nunca mais te levará em cativeiro, ó filha de Edom, visitará a tua maldade, descobrirá os teus pecados.