Ketuvim — leitura cabalística
איכה
Texto massorético (hebraico com nikud) e coluna de tradução via acervo público do Sefaria.
Eu sou o homem que viu a aflição pela vara do seu furor.
A mim me guiou e levou às trevas e não à luz.
Deveras se tornou contra mim, vira a sua mão todo o dia.
Fez envelhecer a minha carne e a minha pele, quebrou os meus ossos.
Edificou contra mim, e me cercou de fel e trabalho.
Fez-me habitar em lugares tenebrosos, como os que estão mortos há muito.
Cercou-me de sebes, e não posso sair, agravou os meus grilhões.
Ainda quando clamo e grito, ele exclui a minha oração.
Cercou os meus caminhos com pedras lavradas, transtornou as minhas veredas.
Fez-se-me como urso de emboscada, como leão em esconderijos.
Desviou os meus caminhos, e fez-me em pedaços; deixou-me assolado.
Armou o seu arco, e me pôs como alvo à flecha.
Fez entrar nos meus rins as flechas da sua aljava.
Fui feito objeto de escárnio para todo o meu povo, e a sua canção todo o dia.
Fartou-me de amarguras, embriagou-me de absinto.
Quebrou com pedrinhas de areia os meus dentes; cobriu-me de cinza.
E afastaste da paz a minha alma, esqueci-me do bem.
Então disse eu: Já pereceu a minha força, como também a minha esperança em Ado-nai.
Lembra-te da minha aflição e do meu pranto, do absinto e do fel.
Minha alma certamente disto se lembra, e se abate em mim.
Disto me recordarei na minha mente, por isso esperarei.
As misericórdias de Ado-nai são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim.
Novas são cada manhã, grande é a tua fidelidade.
A minha porção é Ado-nai, diz a minha alma, portanto esperarei nele.
Bom é Ado-nai para os que se atêm a ele, para a alma que o busca.
Bom é aguardar a salvação de Ado-nai, e esperar em silêncio.
Bom é para o homem levar o jugo na sua mocidade.
Assentar-se-á solitário, e ficará em silêncio, porquanto Deus o pôs sobre ele.
Ponha a sua boca no pó, dizendo: Talvez ainda haja esperança.
Dê a sua face ao que o fere, farte-se de afronta.
Pois o Senhor não rejeitará para sempre.
Antes, se entristeceu a alguém, compadecer-se-á dele segundo a multidão das suas misericórdias.
Pois não aflige nem entristece de bom grado os filhos dos homens.
Para atropelar debaixo dos seus pés a todos os presos da terra.
Para perverter o direito do homem perante a face do Altíssimo.
Para subverter ao homem no seu pleito; porventura não veria o Senhor?
Quem é aquele que diz, e assim acontece, quando o Senhor o não mande?
Porventura da boca do Altíssimo não sai o mal e o bem?
De que se queixa, pois, o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus pecados.
Esquadrinhemos os nossos caminhos, provemo-los, e voltemos para Ado-nai.
Levantemos os nossos corações com as mãos a Deus nos céus, dizendo:
Nós prevaricamos, e fomos rebeldes; por isso tu não nos perdoaste.
Cobriste-nos da tua ira, e nos perseguiste, mataste, não te apiedaste.
Cobriste-te de nuvens, para que não passe a nossa oração.
Por cisco e rejeitamento nos puseste no meio dos povos.
Todos os nossos inimigos abriram contra nós a sua boca.
Temor e cova vieram sobre nós, devastação e ruína.
Correntes de águas derramou o meu olho pela ruína da filha do meu povo.
O meu olho mana e não cessa, porque não há descanso,
Até que atente e veja Ado-nai desde os céus.
O meu olho aflige a minha alma, por causa de todas as filhas da minha cidade.
Como ave me caçaram os meus inimigos sem causa.
Quiseram acabar com a minha vida na masmorra, e lançaram pedras sobre mim.
Águas correram sobre a minha cabeça; eu disse: Estou cortado.
Invoquei o teu nome, ó Ado-nai, desde a profundeza da masmorra.
Ouviste a minha voz, não escondas o teu ouvido ao meu suspiro, ao meu clamor.
Tu te chegaste no dia em que te invoquei; disseste: Não temas.
Pleiteaste, Senhor, a causa da minha alma, remiste a minha vida.
Viste, ó Ado-nai, a injustiça que me fizeram; julga a minha causa.
Viste toda a sua vingança, todos os seus pensamentos contra mim.
Ouviste o seu opróbrio, ó Ado-nai, todos os seus pensamentos contra mim,
Os lábios dos que se levantam contra mim, e as suas imaginações contra mim todo o dia.
Observa o assentar deles e o seu levantar; eu sou a sua canção.
Rende-lhes recompensa, ó Ado-nai, conforme à obra das suas mãos.
Dá-lhes ânsia de coração, tua maldição a eles.
Persegue-os com ira, e desfaze-os de debaixo dos céus de Ado-nai.