Toráh — leitura cabalística
במדבר
Texto massorético (hebraico com nikud) e coluna de tradução via acervo público do Sefaria.
Depois partiram os filhos de Israel, e acamparam-se nas campinas de Moav, além do Yarden, na altura de Yericó.
Vendo, pois, Balak, filho de Tzipor, tudo o que Israel fizera aos amorreus.
Moav temeu muito diante deste povo, porque era muito; e Moav andava angustiado por causa dos filhos de Israel.
Pelo que Moav disse aos anciãos dos midianitas: Agora lamberá esta congregação tudo quanto houver ao redor de nós, como o boi lambe a erva do campo. Naquele tempo Balak, filho de Tzipor, era rei dos moabitas.
E ele enviou mensageiros a Bilam, filho de Beor, a Petor, que está junto ao rio, na terra dos filhos do seu povo, a chamá-lo, dizendo: Eis que um povo saiu do Egito; eis que cobre a face da terra, e está parado defronte de mim.
Vem pois agora, rogo-te, amaldiçoa-me este povo, pois mais poderoso é do que eu; talvez o poderei ferir e lançar fora da terra; porque eu sei que, a quem tu abençoares será abençoado, e a quem tu amaldiçoares será amaldiçoado.
Então foram-se os anciãos dos moabitas e os anciãos dos midianitas com o preço dos encantamentos nas suas mãos; e chegaram a Bilam, e disseram-lhe as palavras de Balak.
E ele lhes disse: Passai aqui esta noite, e vos trarei a resposta, como Ado-nai me falar; então os príncipes dos moabitas ficaram com Bilam.
E veio Deus a Bilam, e disse: Quem são estes homens que estão contigo?
E Bilam disse a Deus: Balak, filho de Tzipor, rei dos moabitas, mos enviou, dizendo:
Eis que o povo que saiu do Egito cobriu a face da terra; vem agora, amaldiçoa-mo; porventura poderei pelejar contra ele e expulsá-lo.
Então disse Deus a Bilam: Não irás com eles, nem amaldiçoarás a este povo, porquanto bendito é.
Então Bilam levantou-se pela manhã, e disse aos príncipes de Balak: Ide à vossa terra, porque Ado-nai recusa deixar-me ir convosco.
E levantaram-se os príncipes dos moabitas, e vieram a Balak, e disseram: Bilam recusou vir conosco.
Porém Balak proseguiu ainda em enviar mais príncipes, e mais honrados do que aqueles.
Os quais vieram a Bilam, e lhe disseram: Assim diz Balak, filho de Tzipor: Rogo-te que não te demores em vir a mim.
Porque grandemente te honrarei, e farei tudo o que me disseres; vem pois, rogo-te, amaldiçoa-me este povo.
Então Bilam respondeu, e disse aos servos de Balak: Ainda que Balak me desse a sua casa cheia de prata e de ouro, eu não poderia transgredir a ordem de Ado-nai meu Deus, para fazer coisa pequena ou grande.
Agora, pois, rogo-vos que também aqui fiqueis esta noite, para que eu saiba o que Ado-nai me falará mais.
Veio, pois, Deus a Bilam de noite, e disse-lhe: Se aqueles homens te vieram chamar, levanta-te, vai com eles; todavia, farás o que eu te disser.
Então Bilam levantou-se pela manhã, e albardou a sua jumenta, e partiu com os príncipes de Moav.
E a ira de Deus acendeu-se, porque ele se ia; e o anjo de Ado-nai pôs-se-lhe no caminho por adversário; e ele ia caminhando, montado na sua jumenta, e dois de seus servos com ele.
Viu, pois, a jumenta o anjo de Ado-nai, que estava no caminho, com a sua espada desembainhada na mão; pelo que desviou-se a jumenta do caminho, indo pelo campo; então Bilam espancou a jumenta para fazê-la tornar ao caminho.
Mas o anjo de Ado-nai pôs-se numa vereda de vinhas, havendo um muro de um lado e outro muro do outro.
Vendo, pois, a jumenta o anjo de Ado-nai, apertou-se contra a parede, e apertou contra a parede o pé de Bilam; pelo que tornou a espancá-la.
Então o anjo de Ado-nai passou mais adiante, e pôs-se num lugar estreito, onde não havia caminho para se desviar nem para a direita nem para a esquerda.
E, vendo a jumenta o anjo de Ado-nai, deitou-se debaixo de Bilam; e a ira de Bilam acendeu-se, e espancou a jumenta com o bordão.
Então Ado-nai abriu a boca da jumenta, a qual disse a Bilam: Que te fiz eu, que me espancaste estas três vezes?
E Bilam disse à jumenta: Porque zombaste de mim; quem dera tivesse eu uma espada na mão, porque agora te mataria.
E a jumenta disse a Bilam: Porventura não sou a tua jumenta, em que cavalgaste desde o tempo em que me tornei tua até hoje? Acaso tem sido o meu costume fazer assim contigo? E ele respondeu: Não.
Então Ado-nai abriu os olhos a Bilam, e ele viu o anjo de Ado-nai, que estava no caminho, e a sua espada desembainhada na mão; pelo que inclinou a cabeça, e prostrou-se sobre a sua face.
Então o anjo de Ado-nai lhe disse: Por que já três vezes espancaste a tua jumenta? Eis que eu saí para ser teu adversário, porquanto o teu caminho é perverso diante de mim.
Porém a jumenta me viu, e já três vezes se desviou de diante de mim; se ela se não desviara de diante de mim, na verdade que eu agora te tivera matado, e a ela deixara com vida.
Então Bilam disse ao anjo de Ado-nai: Pequei, porque não sabia que tu estavas neste caminho para te opores a mim; e agora, se parece mal aos teus olhos, voltarei.
E disse o anjo de Ado-nai a Bilam: Vai-te com estes homens; mas somente a palavra que eu falar a ti, esta falarás. Assim Bilam foi com os príncipes de Balak.
Ouvindo, pois, Balak que Bilam vinha, saiu-lhe ao encontro até à cidade de Moav, que está no termo de Arnon, na extremidade do termo.
E Balak disse a Bilam: Porventura não enviei diligentemente a chamar-te? Por que não vieste a mim? Não posso eu na verdade honrar-te?
Então Bilam disse a Balak: Eis que eu tenho vindo a ti; porventura poderei eu agora de alguma forma falar alguma coisa? A palavra que Deus puser na minha boca, essa falarei.
E Bilam foi com Balak, e chegaram a Kiryat-Chutzot.
Então Balak ofereceu em sacrifício bois e ovelhas; e deles enviou a Bilam e aos príncipes que estavam com ele.
E sucedeu, pela manhã, que Balak tomou a Bilam, e o fez subir aos altos de Baal, e viu ele dali a última parte do povo.